quarta-feira, 8 de abril de 2020

ENCANTO AO LITORAL

Alvorecer
Doce inerência do dia
Coram-se as encostas
O sol tilinta nas curvas infinitas do mar
Ondas refletem a excêntrica
Luminosidade constelar.

É preciso o pouso da gaivota na laje submersa.

Oh, vento manso que dança
ao acalanto de uma noite finda
Qual remanso acaricia a belezura
Da menina esguia da flor de meus olhos luz.

Enveredam os remos na estrada profunda.

Se canoas navegam
Naufragam tristezas
Surgem homens de sabedoria mística
Caiçaram-se.

Sereias
Singram baleias, estórias.

E o astro levanta-se majestoso
Apunhalando com a espada luzente
O corpo lenda do mar lustral.

Alvor
Sonolenta a vida desperta
Nos olhos do menino praieiro
Nos bocejos do pirata velho
No velejar das folhas secas
No despertar de gente boa, humilde
No café forte e um dedo de prosa.

E vão se apagando as velas
E vão içando as velas...

(1991)

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