MAIO
São as noites que me refrescam a mente
Se é inverno, o sono saboroso
O som da maré é o ressonar contínuo de um
acalanto
O céu aveludado com bordados faiscantes são
mira do meu olhar
As ruas de pedras, de terra, não mais das
ferraduras, das rodas duras
Ainda dos pés
As aldravas dos sobradões e as tramelas das
casas
não rangem por eu entrar
E as folias que eram risos, fé e namoros
furtivos
Não serão e nem farão...
Mas há alegria, ainda que com os dias
destemperados
O céu conserva o mesmo jeito,
A noite, o mar e maio também
Deus, esperança será que tem?
(1986)
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