SERTÃO
Preservei todos os anseios de minha
comunidade,
Vejo serra, rés, plantio e humildade.
Apeei minhas mágoas em água corrente,
Conduzi meu desengano à galope ao poente.
Senti-me livre, em privilégio respirei fundo,
Tornei-me defensor perpétuo do sertão mundo.
Calcei-me de esporas, com furor pus-me a
rodeio,
Bambeei em suas rédeas e em queda fui
ligeiro.
Abri as porteiras, passei cantando, na paz
pensando,
Traguei o paieiro, sonhei-me matreiro, o chão
a pata mastigando.
Sentei-me em barranco a observar as
pastagens,
Acendi meu fogo a iluminar outrora, nativos e
imagens.
Fazem-me calar, por certo, as ruas e praças,
Há coisas que muito assustam, mas o sertão
engraça.
Meu nome é José, o dela é Maria,
Sereno no sertão vive a calma, Agnus Dei e
Ave-Maria.
(Catuçaba - 1983)
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