quarta-feira, 8 de abril de 2020


SERTÃO

Preservei todos os anseios de minha comunidade,
Vejo serra, rés, plantio e humildade.

Apeei minhas mágoas em água corrente,
Conduzi meu desengano à galope ao poente.

Senti-me livre, em privilégio respirei fundo,
Tornei-me defensor perpétuo do sertão mundo.

Calcei-me de esporas, com furor pus-me a rodeio,
Bambeei em suas rédeas e em queda fui ligeiro.

Abri as porteiras, passei cantando, na paz pensando,
Traguei o paieiro, sonhei-me matreiro, o chão a pata mastigando.

Sentei-me em barranco a observar as pastagens,
Acendi meu fogo a iluminar outrora, nativos e imagens.

Fazem-me calar, por certo, as ruas e praças,
Há coisas que muito assustam, mas o sertão engraça.
Meu nome é José, o dela é Maria,
Sereno no sertão vive a calma, Agnus Dei e Ave-Maria.

(Catuçaba - 1983)

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