REALEJO
Que saudade tocou-me
A cidade só, sob um manto dourado estendido
pela lua cheia
Tudo longe...
Mariposas festejavam a solidão diante das
luzes da alameda
- as luzes da ribalta -
Domando o silêncio, um realejo
gentilmente girando a manivela, ressoando na
viração sonetos e solidão
Que saudade tocou-me
Ao ver o homem de bigode e chapéu coco, a
meus olhos memorar Carlitos
Na noite reluzia o som ardente e tocante do
realejo no seu
palco de paralelepípedos
Sua platéia, as borboletas da noite, a brisa
orvalhada, o sereno, a relva molhada
e eu...
As estrelas piscavam vaidosas, as árvores
dançavam ao vento, a lua sorria jovial
- a minha escola, a minha rua, o meu primeiro
madrigal -
E o pensamento pairava sob a melodia do
seresteiro
Que saudade tocou-me
A cidade só, o homem ébrio, trôpego, se
retirando
em silêncio do picadeiro de concreto,
sob os aplausos dos grilos
Os assovios dos ventos e
lágrimas minhas.
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